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Despojado de retórica literária, reduzidos a gestos significando tempos astronômicos ou cotidianos de saberes antigos, numa ficção sígnica de múltiplas possibilidades de leituras estritamente gráficos, estes trabalhos se desdobram a modo de páginas de um livro.

 

Em metáforas enciclopédicas, temos contornos, riscos formadores de imagens sem profundidade, sem meio tom, sem perspectiva, de poucos elementos em jogo. Gravuras que ilustravam antigos aparelhos montados em escalas diferentes que conformam uma fantasmagórica narração sem sequência romanesca.

 

Estilo de flashes, sonhos formadores de imagens do passado, inesgotável em sua surda e seca produção na vigília diurna. Fantasmas culturais talvez, ou alguma psique arcaica pulsando sinais fragmentadas de outro universo sem palavras.

 

Estamos ante uma exposição límpida, luminosa, e de construção natural em seu gesto. Limpas imagens em rotundo preto e branco.

Que sugerem lugares de intensa procura em jornadas medievais, fixadas em recortes explicativos de antigos dicionários.

 

Que se instalam como vitrais rememorando templos inexistentes, fantasmagóricos, possíveis. Na confluência de frações geométricas que estabelece relações, ao mesmo tempo, de vetustos procedimentos com a visão contemporânea abstracionista.

 

Carlos Clémen - dezembro 2016

Stripped of literary rhetoric, reduced to gestures meaning astronomical or everyday times of ancient knowledge, in a symbolic fiction with multiple possibilities for strictly graphic readings, these works unfold like pages of a book.

 

In encyclopedic metaphors, we have contours, image-forming risks without depth, without halftone, without perspective, of few elements at stake. Engravings that illustrated old devices mounted on different scales that form a ghostly narration without a novelistic sequence.

 

Style of flashes, dreams that make images of the past, inexhaustible in its deaf and dry production during daytime vigil. Cultural ghosts, perhaps, or some archaic psyche pulsing fragmented signals from another wordless universe.

 

We are facing a clear, luminous, and naturally constructed exhibition in his gesture. Clean black and white round images.

That suggest places of intense demand in medieval journeys, fixed in explanatory clippings from old dictionaries.

 

That are installed as stained glass reminiscent of non-existent, ghostly, possible temples. At the confluence of geometric fractions that establishes relations, at the same time, of old procedures with the contemporary abstractionist vision.

 

Carlos Clémen - December 2016

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